Há 15 anos ministrando cursos de capacitação comportamental para adultos, percebo uma crescente preocupação dos pais e professores, pelo desinteresse e apatia dos jovens pelos estudos e interesse pela escola.

Afinal, o que vem acontecendo e causando este desequilíbrio e insatisfação cada vez maior e este alto nível de desmotivação dos alunos pelas escolas?

Existe grande esforço por parte das escolas para evitar a desmotivação e desinteresse do aluno. Ações crescentes num desespero para corrigir velhos padrões pedagógicos e mudar metodologias para reter este novo aluno, fruto de uma geração contemporânea que mudou e que muda numa velocidade cada vez maior. Pesquisas e mais pesquisas são realizadas entre alunos, pais e professores objetivando a melhoria do interesse do jovem para o aprendizado e acima de tudo para restabelecer o equilíbrio e tranquilidade no relacionamento com seus professores.

Mas afinal, o que acontece? Porque apesar de todo esforço, assistimos cada vez mais a maioria dos jovens estressados e desinteressados pelos estudos, pela autoridade dos professores e coordenadores pedagógicos.

E como o jovem percebe e trafega por este cenário?

O jovem domina com facilidade as maravilhas da tecnologia, o computador, vídeo games interativos que criam uma realidade virtual cada vez mais fascinante, os softwares que surgem a cada dia. Essa tecnologia torna o aprendizado intuitivo, o que traz satisfação e motivação, pois o jovem sente-se gratificado em interagir com a tecnologia e verificar seu sucesso ao adquirir um novo conhecimento.

Por outro lado, as escolas buscam acompanhar o ritmo frenético das mudanças aceleradas impostas pela tecnologia, e então oferecem cada vez mais e mais informação e conhecimento que muitas e muitas vezes nunca serão utilizados, pois também ficarão obsoletos e isso também acontece numa velocidade muito grande.

Pesquisas mostram que conhecimentos técnicos tornam-se obsoletos aproximadamente em 2 anos.

E como fica a percepção do jovem ao se deparar com o estar realidade onde se depara com um sistema de ensino, muitas vezes desfragmentado, onde a falta da atenção à interligação dos conteúdos das diferentes matérias e dessas com o mundo tecnológico que vivem, causa um sentimento de falta de utilidade no conteúdo que aprendem?

Os jovens são obrigados a frequentar um sistema de ensino onde os métodos empregados não têm o mesmo fascínio e dinamismo do seu mundo tecnológico.

Este quadro piora quando o jovem encontra professores estressados, os quais se limitam a repetir ano após ano o conteúdo programático, professores que ainda não utilizam processos pedagógicos para prender a atenção do aluno, motivar e facilitar o aprendizado de seus alunos.

O desenvolvimento da habilidade de estimular a atenção do jovem, despertar motivos para o aprendizado, mostrar o ganho por se empenhar nos estudos, e até mesmo, o que aquele conhecimento tem a ver com ele e com seu futuro, enfim, ser um professor surpreendente, interessado pelo ser humano aluno, pelo seu futuro, e não apenas interessado em passar o conteúdo curricular.

Neste cenário, é fundamental ao professor desenvolver seu lado humano, aprender e utilizar técnicas comportamentais específicas para facilitar o aprendizado em sala de aula, adquirir conhecimento para ensinar ao aluno recursos para aprender mais rapidamente, afinal este precisa de tempo para seu mundo tecnológico de internet, vídeo game, divertir-se com os amigos nas baladas, enfim, viver os atrativos que a vida lhe oferece.

Será que nossas escolas estão conscientes e conhecem soluções efetivas para o desenvolvimento de metodologias de ensino que atendam à realidade do jovem da atualidade?

Muitas vezes, o próprio educador precisa de formação para entender como este mundo de mudanças aceleradas vem afetando a ele mesmo e causando tantos momentos de estresse e mal-estar no exercício da sua missão em formar adultos vencedores. O educador precisa entender a formação de seu comportamento que foi estruturado em experiências do seu passado. E como o mundo mudou muito rapidamente, entender que os velhos padrões de relação que tinham com seus professores, hoje não produzem mais os mesmos resultados.

Tive a oportunidade de presenciar uma orientadora educacional tentando convencer um jovem a estudar para ter boas notas nos estudos, ingressar numa boa universidade e assim conquistar um bom emprego no futuro. Nesta oportunidade o jovem contra argumentou e disse para a orientadora, que ele preferia estudar apenas o suficiente para se formar e não para tirar notas altas. Disse que seria empresário e então contrataria aqueles bons alunos que estudaram muito. Perceba que a habilidade de ouvir e procurar entender as razões do outro, nos dá a oportunidade de reavaliar nossos autoconceitos.

Daí a necessidade de desenvolver habilidades e a atitudes voltadas à formação de seres humanos preparados para raciocinar, criar e trafegar com tranquilidade por situações que exijam atributos comportamentais como comunicação efetiva, capacidade de relacionamento para o trabalho em equipe, e acima de tudo compartilhar conhecimentos e buscar resultados efetivos eliciando o comprometimento da equipe.

Urge que os novos mestres aprendam a ensinar o jovem a aprender a aprender, aprender a agir, aprender a se motivar, aprender a ter sensibilidade na comunicação e nos relacionamentos.

E se os professores se preocupassem mais em aprender como o ser humano funciona para então mudar seus métodos de ensino? Desta forma os mestres poderiam promover maior comprometimento dos alunos e dar-lhes MOTIVO para a AÇÃO de aprender a serem seres humanos fortes e preparados para resolver situações novas, enfrentar mudanças e criar soluções.

Tudo começa com a consciência que há algo a mudar, em segundo lugar, a própria vontade em mudar, e por último a intenção genuína em contribuir para a formação de “seres humanos” melhores e então poderemos alimentar a expectativa de um futuro melhor e para nossa sociedade e nosso planeta.

Pense nisso! Boa Semana